16.8.11

Reforço sentimental

Desejo do Barça e pedido do campeoníssimo Guardiola, Fàbregas vai herdar a 4, com a qual o seu chefe se consagrou como jogador

Quase oito anos após deixar as canteras de La Masia rumo à cinzenta Londres, Cesc Fàbregas faz jus ao ditado popular do “filho pródigo” e volta ao Barcelona da adolescência, que assim como ele, cresceu. A contratação pode ser vista sob um prisma muito particular: apesar das altas cifras envolvidas € 34 milhões (cerca de R$ 78,4 milhões), é uma contratação primordialmente sentimental.

Explico: mesmo sendo um pedido de Pep Guardiola, se observarmos o elenco do Barcelona, Fàbregas não vem como protagonista, como o era no Arsenal. Será uma valiosa opção no já dinâmico meio-campo culé, bombeado principalmente pelos “motores” Iniesta e Xavi. Jogadores como Busquets (cria do próprio Guardiola), Mascherano e Keita fazem o “trabalho sujo”, posto que deve passar a ser ocupado pelo novo reforço, um volante de formação, mas cada vez mais fixo como segundo, terceiro ou quarto homem de meio.

Para Fàbregas, faltou um título em sua carreira clubística como atleta, orquestrada pelo eficiente Arsène Wenger. De atleta mais jovem e a marcar a primeiro gol pelo Arsenal, galgou a tarja de capitão da equipe londrina. Que, pela política no investimento em jovens e a construção do Emirates Stadium, passou a ser um coadjuvante na Inglaterra enquanto Chelsea, Liverpool e Manchester United protagonizavam o título inglês e eram cabeças nas disputas da Champions League. Grandes, os Gunners acabaram ficando pequeno para o camisa 4, que saiu do clube que o revelou para o único clube que ele realmente iria nos seus 24 anos de idade. Que é o dono da Espanha, Europa e do Mundo há dois anos, com um futebol vistoso.

Segundo noticia a imprensa, o espanhol abriu mão de uma porcentagem da transferência que seria paga pelo seu ex-clube, cerca de R$ 9 milhões. Por outro lado, o Barça teria assinado uma cláusula em que prioriza uma futura negociação com o Arsenal e que destina 50% do valor de uma futura venda a um terceiro clube aos ingleses – e dada a duração dessas negociações, não duvido de tal exigência. Na prática: o clube só será beneficiado em campo. Comercialmente falando, mesmo que seja negociado por um valor astronômico, não haverá lucro. Uma aposta com o coração – algo raro, com todo o dinheiro que gira o carrossel do futebol moderno.

Com a chegada do bom chileno Alexis Sánchez, da Udinese (€ 26 milhões de euros), dois dos principais atletas poderão ser mais “poupados” durante esta temporada: Messi e Xavi, protagonistas de Argentina e Espanha. Falta apenas uma retaguarda na zaga, já que o incansável Puyol já não é mais nenhum garoto. Com a contusão do capitão blaugrana no final da última temporada, Mascherano foi deslocado para a zaga. Não comprometeu, mas não foi nenhum fenômeno.

Entrosado e reforçado, é o grande alvo a ser derrubado na Europa, frente a um Real Madrid que ainda tenta ganhar corpo, mas pode rivalizar durante a temporada.

Um comentário:

David J. Pereira disse...

Boas!

Devo dizer que gosto imenso deste blogue!

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Saudosos cumprimentos!