25.11.09

Aula de futebol

Piqué comemora o primeiro gol da noite

O título acima descreve com simplicidade o que aconteceu na vitória do Barcelona frente à Inter de Milão no estádio Camp Nou, ontem, por 2 a 0. Mesmo sem a presença de dois dos melhores jogadores do mundo por causa de lesão, o argentino Messi e o sueco Ibrahimovic, o Barça atropelou a tetracampeã italiana, que não conseguiu ver a cor da bola.

O esquema de jogo da equipe espanhola simplesmente não deixa o adversário jogar. Com passes rápidos, de pé em pé, além de contar com a presença de craques como os meias Xavi e Iniesta – o primeiro, aliás, poderia muito bem dividir o prêmio de melhor do mundo com o colega camisa 10, o time catalão envolve seus oponentes de uma forma avassaladora. A primeira vez que os interistas trocaram 5 passes seguidos foi aos 25 minutos de segundo tempo.

O que espanta é que a Inter, mesmo passeando a anos na terra da bota, não conseguiu nem ameaçar a meta do goleiro Valdez. Além de não montar um esquema para enfrentar os donos da casa, Mourinho demorou a mexer, e ainda sim as suas mudanças não surtiram muito efeito. Pouco para o badalado treinador, contratado justamente para acabar com o jejum nerazurri.

O Barcelona mostra que é possível jogar bonito e vencer. Sei que esse discurso é batido e já cansou, mas ainda sim acho que vale a pena ressaltar. Não é preciso ser truculento, apostar na força e correria para vencer. Muitos dizem que o campeonato italiano é mais difícil que o espanhol: no duelo entre os campeões, pelo menos, fica difícil de concordar. O Barça mostra também que não é necessário gastar milhões para ter uma grande equipe. Dos 14 jogadores utilizados ontem, nada menos que 9 são pratas da casa. Melhor exemplo não há. E dá gosto de ver...
Dupla de craques: cérebros de uma equipe que encanta

23.11.09

A continuidade é o caminho

Em meio a especulações naturais em reta final de temporada, o técnico Adilson Batista e o Cruzeiro chegaram a mais um acordo, renovando o vínculo do treinador por mais uma temporada. Bola dentro do Cruzeiro, de excelente temporada e que pode ser coroada com a vaga da Libertadores 2010, já que no primeiro turno, a Raposa teve que “deixar de lado” o Brasileirão, por conta da reta final do torneio continental. Por conta disso, a equipe celeste chegou até a flertar com a zona de rebaixamento em algumas rodadas do primeiro turno.

Claro que Adilson não chega a ser uma unanimidade na Toca da Raposa - externado nos diversos atritos que ocorreram entre ele e imprensa mineira -, mas há de se reconhecer que seu trabalho foi bom com o Cruzeiro. Ao assumir o comando da equipe, em janeiro de 2008, conseguiu chegar a hegemonia mineira ao conquistar o bicampeonato estadual. Fez ótima campanha na Libertadores 2009, da qual acabou vice-campeão. Mesmo perdendo o título diante de um organizado e aguerrido Estudiantes em pleno Mineirão, não dá pra negar o quão difícil foi a campanha da equipe, que deixou grandes como São Paulo e Grêmio pelo caminho. Após o baque da perda da Libertadores, conseguiu boa recuperação, evidenciada no desempenho do time no segundo turno, onde até a 36ª rodada havia somado a segunda melhor campanha (34 pontos, ao lado do Flamengo) com o melhor ataque – 33 gols em 17 partidas. Tem chances reais de voltar a competição sul-americana em 2010, já que está três pontos atrás de Palmeiras e Inter, que fecham o G-4.

Um dos méritos de Adilson Batista ao longo desses quase dois anos de trabalho à frente do Cruzeiro ocorreu na mesclagem entre pratas da casa com bons jogadores indicados por ele. Ao mesmo tempo em que jogadores da base como Wagner, Guilherme, Diego Renan e Jonathan ganhavam espaço na equipe, ele conseguiu encaixar em seu esquema de jogo jogadores experientes como Gilberto, Fabrício, Leonardo Silva e Kleber. A boa fórmula, além de títulos, dá ao treinador a boa marca de 131 partida no comando do Cruzeiro, com 78 vitórias, 25 empates e 31 derrotas. Além do bicampeonato mineiro e do vice continental, ele já tem a marca de treinador que mais conquistou vitórias pela Raposa na história da Libertadores, com 14, superando Zezé Moreira, que na campanha vitoriosa de 1976, somou 11 triunfos.

Sondado por diversas equipes, as duas partes fizeram bem em manter o vínculo. Adílson – que antes de chegar ao Cruzeiro, tinha feito bom trabalho no Figueirense - faz parte da nova safra de técnicos que já é realidade no cenário nacional, assim como Vagner Mancini e Silas, que parecem trilhar pelo mesmo caminho do cruzeirense.

21.11.09

Surpreendendo a bilheteria

“66 foi um grande ano para o futebol inglês. Eric nasceu”. A frase, extraída de uma propaganda da Nike, mostra o quão idolatrado foi Eric Cantona durante os anos que defendeu a camisa do Manchester United. Utilizando essa idolatria como pano de fundo, À procura de Eric (Looking for Eric) enriquece um enredo que parece “água com açúcar”, mas que nem por isso deixa de ser um filme agradável e engraçado de se assistir.

Ao ver o filme em cartaz, imaginei ver a história mais centrada nas peripécias de Cantona (que interpreta a si mesmo) em seus tempos de jogador genial, amado e polêmico. Contudo, o francês funciona como um verdadeiro terapeuta de Eric Bishop (Steve Erets), um carteiro fanático pelo Manchester United e por King Eric, mas que atravessa diversos problemas pessoais desde que abandonou a esposa Lily (Stephany Bishop) com uma filha pequena, por contra de crises de pânico causadas pela responsabilidade de ser pai. Abandonado pela segunda esposa, que lhe deixou dois enteados adolescentes e problemáticos para cuidar, Bishop não é sombra do vigoroso jovem que adorava dançar na juventude. Deprimido, sua única alegria é ver os jogos dos Red Devils, principalmente à época de Cantona (1992-1997), que marcou 82 gols em 185 jogos e foi o primeiro capitão da história do Manchester que não era britânico ou irlandês.

Depois de quase se matar em um acidente, Bishop começa a ter visões de seu ídolo, antes representado por um grande quadro em seu quarto, repleto de fotos do Manchester United. A trama se desenvolve a partir das “conversas” com o francês. Além do enredo em si – que particularmente, achei divertida – o filme traz vários golaços de Eric e aborda algumas particularidades do Manchester United, como a dissidência de alguns torcedores a partir da compra da maioria das ações do clube pelo americano Malcolm Glazer. Fundado em 2005, o FC United of Manchester é uma equipe semi profissional e que atualmente está na sexta divisão do futebol inglês. Foi fundado pelos insatisfeitos com a chegada de Glazer, conhecidos como Red Rebels. A famosa “voadora” de Cantona no torcedor do Crystal Palace em janeiro de 1995, foi lembrada com humor. “Aquele idiota teve o que merecia”, diz Bishop, em um dos diálogos com seu ídolo.

Além de particularidades do universo mancuniano e da carreira de Eric, a atuação como coadjuvante do francês foi um ponto positivo e surpreendente do filme. Cheio de frases de efeito e com a marra que lhe é característica, Cantona mistura conselhos e alguns de seus causos para ajudar Bishop. “Preciso me surpreender para poder surpreender a torcida”, afirma Cantona, tentando fazer com que o carteiro aplique tal máxima para superar suas adversidades assim como o francês surpreendia os adversários. Uma boa estória, salpicada de gols e da idolatria ao francês de Marselha, que certamente faz parte do rol dos grandes jogadores do United como Dennis Law, George Best, Bobby Charlton e Ryan Giggs.

18.11.09

Gol contra


Em meio a discussões de arbitragem, mala branca, influência do "time grande" frente aos pequenos, em fazer uma Copa do Mundo grandiosa e que não onere o dinheiro público, a maioria dos torcedores brasileiros só querem uma coisa: que as coisas sejam resolvidas dentro de campo, como deve ser. Ao fazer a série de acusações e ofensas que o levaram a uma "singela" suspensão de nove meses, o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, mostrou sua faceta em comum com a esmagadora maioria dos dirigentes brasileiros, de passionalidade exacerbada e sem a razão necessária para se comandar um clube de massa como o Palmeiras.

Posto os vários problemas que acometem o futebol brasileiro, a imprensa esportiva está aí para denunciar e ajudar a fiscalizar as mazelas do futebol (esporte) tupiniquim. Alguns poucos, com racionalidade e escrúpulos. Outros com estardalhaço e denuncismo. Mas não é essa questão que quero abordar aqui. Ao ver a capa do Lance! desta quarta-feira, 18 de novembro, fiquei surpreso - mesmo se tratando do tablóide em questão - ao ver a chamada de capa do Corinthians: "A Fiel pede pra entregar", relativa ao jogo do Corinthians contra o Flamengo na penúltima rodada - o Timão encara o Náutico neste sábado, pela 36ª rodada. Não é preciso nem explicar que o Flamengo está na briga pelo título nacional ao lado de São Paulo e Palmeiras, rivais alvinegros.

Mas ao ventilar tal possibilidade e sem nenhum tom de denuncismo, o Lance! marca gol contra. "A Fiel"? Toda ela clama por entregar o jogo? Além de não haver nenhum tipo de movimento claro entre os torcedores para tal marmelada, um jornal não deveria "incentivar" tal possibilidade. As vezes, os diretores do jornalão esportivo esquecem que eles lidam com leitores movidos pela paixão, com tal declaração servindo de faísca para uma reação que de boa, não teria nada. Mala branca existe, desonestidade no futebol também. Contudo, é lamentável ver um jornal do alcance e importância do Lance! dando outra escorregada, como vem sendo praxe nos últimos tempos. Uma pena, já que comecei a me interessar por jornalismo esportivo quando o Lance! foi concebido, ao final da década de 90. A busca obsessiva por vendas a qualquer custo empobreceu demais a publicação, que por vezes, fica parecendo a reprodução de papos de boteco com os amigos.

17.11.09

Fogo no Brasileirão

Botafogo X São Paulo: "decisão" no Engenhão

Os olhos e ouvidos de todos certamente estão atentos à ascensão do São Paulo na liderança ou na surpreendente recuperação do Fluminense, que parecia morto. Na zona da Libertadores, Inter, Atlético, Cruzeiro e até o Avaí estão de olho em uma eventual última vaga. Tudo isso faltando três rodadas para o fim do Brasileirão. Contudo, há um time que vai atuar nessas três frentes em suas partidas derradeiras neste certame: o Botafogo, 41 pontos, apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento (ver tabela do Brasileirão à direita).

A acachapante derrota do Botafogo por 3-0 na Arena Barueri deu ares de dramaticidade à equipe comandada por Estevam Soares para o restante do campeonato. O Fogão vai encarar o empolgado São Paulo no Engenhão, o (ainda) ameaçado Atlético/PR no caldeirão da Arena da Baixada e um cambaleante Palmeiras na última rodada – na qual poderá estar brigando pelo título ou por uma vaga definitiva na Libertadores – em casa. Trocando em miúdos: os jogos contra o Botafogo definirão, ao menos, alguma destas arestas soltas no Brasileirão.

Um empate ou derrota do Tricolor Paulista no Rio de Janeiro pode colocar o Flamengo na liderança, caso vença o Goiás no Maracanã. Uma eventual vitória da Palmeiras no Olímpico - no jogo que abre a rodada - pode embolar a liderança, já que o time de Muricy Ramalho ficaria apenas um ponto atrás dos líderes. Na rodada seguinte, a 37ª, o Atlético/PR (atualmente com 43 pontos, quatro acima do Z-4) pode estar jogando sua permanência na Série A, que tem o próprio Botafogo e o Fluminense brigando desesperadamente para escapar da degola. Na última rodada, certamente o Palmeiras estará na briga por algo e pode pegar um Botafogo descompromissado e salvo ou desesperado pela real possibilidade de um retorno à Série B, da qual já teve o desprazer em participar em 2003. Por isso, direta ou indiretamente, todos estarão de olho no Botafogo de Juninho, Lúcio Flávio e André Lima.