13.1.11

Delac: o novo paredão do Leste

Redigido originalmente para a seção "Fique de Olho", do Olheiros
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Considerado um dos melhores goleiros da década, Petr Cech reina absoluto no gol do Chelsea desde julho de 2004. E a supremacia do gigante tcheco no gol, indiretamente, abriu caminho para que o clube londrino observasse na região do Leste Europeu – que inclui quase que a totalidade dos países pertencentes à cortina de ferro soviética, na época da Guerra Fria, como os Bálcãs e a antiga Tchecoslováquia – mais potenciais talentos para defender sua meta no futuro.

Em 2007, chegou a Stamford Bridge Jan Sebek, compatriota de Cech. Com 19 anos, o arqueiro vai ganhando espaço entre os Reserves. Já em 2009, a região teria um novo candidato para a posição: o bósnio Matej Delac, de 1,91m e 18 anos, que chamou a atenção do caça talentos Frank Arnesen e assinou um pré-contrato com os Blues, logo após ter ido à Londres para integrar a delegação da Croácia de Slaven Bilic em um amistoso contra a Inglaterra, com apenas 17 anos. Mesmo já acertado, Delac ainda não se integrou totalmente ao clube e acabou emprestado ao Vitesse, da Holanda, para adquirir mais experiência – já havia sido cedido ao seu clube de origem, o Inter Zapresic. Mas não se enganem com a demora: o Chelsea aposta alto em mais um “paredão do Leste”.

Recorde e personalidade

Delac não nasceu com vocação para a posição. Em um mundo onde a esmagadora dos garotos quer ser meia ou atacante, certos fatores externosacabam selecionando os futuros arqueiros. Em seu caso, a altura foi fundamental para mandá-lo às balizas. E deu certo.

Um turbilhão de eventos levou o jovem goleiro aos holofotes do futebol local. Delac viajou à Portugal para realizar testes com o Benfica, logo após uma boa atuação com a seleção croata sub-15. Porém, o acerto financeiro com o Inter Zapresic, time local que o revelou, não aconteceu. O que foi ótimo para sua carreira.

Entre contusões e desfalques, assumiu o gol dos Keramicari (cerâmicos, em croata) em meio a temporada 2008/09. E fez história na sua primeira aparição como titular, em fevereiro de 2009. Jogado “na fogueira”, tornou-se o mais jovem atleta a jogar pela Prva HNL, a liga croata: 16 anos e 185 dias. Passeando pelo meio da tabela, o Inter vencia o NK Zagreb fora de casa por 1 a 0. Mas um pênalti aos 40 minutos da etapa final poderia ter selado o empate. Porém, Delac virou herói ao pegar a cobrança do veterano atacante Davor Vugrinec – integrante da Croácia na Copa de 2002 e passagens por clubes pequenos da Itália.

Muito celebrado pelos companheiros de equipe, a fama no país foi quase que instantânea. “Depois da minha estreia, recebi 38 pedidos de amizade no Facebook, apenas em algumas horas. Nem queria acreditar. As pessoas agora passam na rua e cumprimentam-me. É demais!”, declarou ao site oficial da Uefa. Terminaria aquela temporada com 15 aparições entre os titulares e outro pênalti defendido.

Novo Cech?

Delac continuaria como o arqueiro titular do Inter na temporada seguinte, com mais 23 partidas – desfalcaria a equipe por conta da convocação para a Croácia sub-19. Em agosto de 2009, o goleiro estava na Inglaterra com a seleção croata, para um amistoso. E a estadia na terra da rainha, além de marcar sua primeira convocação para a equipe principal, também selaria o acordo mais importante de sua precoce carreira: o acerto com o Chelsea.

Ainda sob o efeito de suspensão prévia por conta da transferência ilegal de Gael Kakuta – aliciado sem o consentimento de seu clube, o Lens –, o diretor das categorias de base Frank Arnesen fechou um pré-contrato com o talentoso arqueiro e o Inter Zapresic: em valores não revelados pelas partes (especula-se que o negócio ficou em 3 milhões de libras), o Chelsea teria a preferência de assinar contrato com Delac por cinco temporadas, assim que ele chegasse aos 18 anos. De quebra, ele permaneceria no seu clube de origem, por empréstimo.

Mesmo no futebol croata, os Blues não deixaram de acompanhar seu mais novo talento. Além de pagar os salários do camisa 1, o clube londrino mandava alguns DVDs ao jovem, para ir se familiarizando com os métodos e a história do clube. “Ele é muito jovem, mas está tendo grande experiência em seu país. Achamos que ele poderá se tornar um grande goleiro no futuro”, analisou o técnico da equipe principal Carlo Ancelotti, que o viu em ação durante alguns treinos no CT da equipe, em Cobham, em dezembro do mesmo ano. Na janela de transferências de 2010/11, o Chelsea o repassou aos holandeses do Vitesse, de onde deve voltar direto aos reserves do clube, ao final desta temporada.

Paredão croata

Natural de Gornji Vakuf-Uskoplje, atual Bósnia-Herzegovina – uma das cidades mais atingidas pela guerra croata-bosníaca (junho de 1992 a fevereiro de 1994), Delac nasceu em agosto, no início do conflito que se seguiu a independência da Croácia da antiga Iugoslávia. A região foi alvo de disputa por croatas, bósnios e sérvios. Radicado mais tarde em Zapresic, localizada na região metropolitana da capital Zagreb, a opção por defender a seleção croata foi natural. Tanto que ele é convocado regularmente às equipes de base dos Vatreni desde o sub-15.

Testado em alguns amistosos, as boas aparições logo o conduziram ao time que disputava as Eliminatórias para o Europeu sub-19, em outubro de 2008. Com o objetivo principal de garantir uma das vagas do continente ao Mundial sub-20 de 2011, na Colômbia, a Croácia chegara à fase final do torneio como zebra.

Com Delac defendendo a meta, o time vendeu caro a derrota diante da Espanha e arrancou um empate sem gols com a Itália. A vaga às semifinais veio com uma sonora goleada diante de Portugal por 5 a 0. Contra os donos da casa, a França, um irônico Déjà vu: há 12 anos, no mesmo mês de julho deste último Europeu sub-19, a Croácia caia diante dos donos da casa na Copa do Mundo de 1998 – na melhor participação da equipe em um Mundial – por 2 a 1, de virada, numa semifinal. O resultado e as circunstâncias se repetiram no torneio continental. Mesmo a derrota diante dos futuros campeões não apagou a bola atuação dos comandados do técnico Ivica Grnja, que viu seu goleiro cotado como um dos destaques da competição.

A boa performance na base e no campeonato nacional, mais uma combinação de imprevistos, fizeram o treinador Slaven Bilic chamá-lo como terceiro goleiro da equipe que enfrentaria a Inglaterra, pelas Eliminatórias da Eurocopa de 2012, em agosto de 2009. Com 17 anos recém-completados à época, Delac tornou-se o mais jovem atleta convocado pela Croácia.

O novo integrante da legião do Leste Europeu do Chelsea se espelha em Cech e Reina e sonha em defender um pênalti de Cristiano Ronaldo. Para isso, é acompanhado com muita atenção pelos londrinos, já que os atuais goleiros da equipe principal, como Hilário e Turnbull, não agradam tanto aos torcedores. E para este arqueiro acostumado a desafios desde cedo, a chance de integrar o elenco principal pode não soar tão absurda, em um futuro próximo. Sob a supervisão próxima do ídolo Petr Cech.

Ficha técnica

Nome completo: Matej Delac
Data de nascimento: 20/08/1992
Local: Gornji Vakuf-Uskoplje, Bósnia e Herzegovina
Seleções de base que defendeu: Croácia sub-15, sub-16, sub-17 e sub-19 e sub-20
Clubes: Inter Zapresic, Chelsea e Vitesse (empréstimo)

12.1.11

Hora de voltar

Maicon e Júlio César, em ação pelo Brasil: peças importantes que devem voltar logo à lista de convocados de Mano

Na seleção ideal, divulgada pela Fifa e votada pela própria federação internacional de jogadores (FIFPro), a zaga era composta por Maicon (29 anos) e Lúcio (32 anos), dois dos pilares da Inter de Milão que ganhou tudo, mas que tiveram desempenho discreto na Copa do Mundo da África do Sul com o Brasil.

Mano Menezes chegou com o discurso de renovação à Seleção. E ela era necessária, principalmente no meio-campo, engessado na era Dunga, e no ataque. O ex-técnico do Timão conservou apenas Robinho e Dani Alves inicialmente, em relação grupo de convocados para os amistosos que marcaram sua caminhada no comando do time, contra EUA, Ucrânia e a queda diante da Argentina de Messi. Porém, contra a França, em fevereiro, Mano precisa começar a injetar experiência para a base que disputará a Copa América neste ano. E ela passa por nomes como o goleiro Júlio César (só não foi eleito o melhor de 2010 por conta da temporada de Casillas), Maicon e Kaká (28 anos) – apesar da qualidade indiscutível, a idade de Lúcio tornaria inviável que mantivesse o mesmo ótimo nível até 2014.

O goleiro segue soberano no gol nerazzurri. Seu único "pecado" em 2010 foi mesmo a falha no jogo contra a Holanda, pelas quartas de final da Copa. Mano testou o bom Victor, chamou o questionável Jefferson e o jovem Neto – que está de malas prontas para a Fiorentina. Mas nenhum deles chega próximo a excelência do camisa 1 do Brasil nos últimos anos (foi eleito pela IFFHS como um dos dez melhores da posição na última década).

As diferenças entre Maicon e Daniel Alves, primordialmente, são de estilos. Enquanto o lateral da Inter é mais agudo no ataque e defende melhor, o do Barcelona é mais técnico e habilidoso, bate melhor na bola e pode criar jogadas diferentes das do rival de posição. Mas independente da escolha para a camisa 2, ambos devem estar numa eventual lista de Mano. Indiscutivelmente, são os melhores em suas posições não só no Brasil, como no planeta. Tanto que, além da seleção divulgada durante o prêmio da Fifa, nesta semana, Maicon já havia sido eleito como o melhor defensor da Uefa na última temporada, em parte, pelo excelente desempenho com a Inter na Champions conquistada pela equipe de Milão.

O caso de Kaká inspira mais cuidado, já que o meia jogou a Copa no sacrifício, errou em algumas atitudes, mas também acabou chamuscado pela eliminação brasileira. Tudo poderia ser diferente caso seu chute colocado não tivesse sido brilhantemente defendido por Stekelemburg, que evitou o 2 a 0 brasileiro que dificultaria a coisa para os holandeses. Porém, o meia de 28 anos vem retornando aos poucos e 100% clinicamente aos campos. Alguns minutos contra o Getafe e o gol na partida seguinte contra o Villarreal, (não marcava pela equipe espanhola desde abril de 2010) neste início de janeiro, mostram que José Mourinho deve recuperar sua confiança. Algo que Mano, que já declarou estar observando o camisa 8 do Real, não pode deixar de ponderar. Acredito que seja mais fácil para o destaque brasileiro nos últimos anos voltar ao bom futebol do que Ronaldinho Gaúcho, recentemente repatriado ao Flamengo e que acabou chamado na hora errada pela seleção no amistoso diante da Argentina, quando vinha em declínio no Milan.

Caso mantenham o nível habitual, a tarimba desses atletas é imprencindível para uma seleção de tantos jovens e bons valores, como David Luiz, Thiago Silva, Lucas, Neymar e Pato, por exemplo. Acredito que em breve, a sensatez de Mano deverá reconduzir esses jogadores ao escrete canarinho.

9.1.11

Até Passione deve acabar antes...

A novela da volta de Ronaldinho para o futebol brasileiro já cansou. Seja os times interessados na contratação do jogador, seja todo o meio do futebol, ou até mesmo aqueles que não ligam para o esporte, ninguém aguenta mais a demora na definição do futuro do gaúcho. O que é triste, já que, como o André comentou logo abaixo, sua volta seria positiva em todos os sentidos.

Mas ele não precisava disso. Prestes a completar 30 anos, já eleito duas vezes o melhor do mundo, campeão do mundo e europeu, milionário, Ronaldinho não precisava disso. É difícil saber se é seu irmão e empresário Assis quem está dificultando as coisas, como alegam Grêmio ou Palmeiras, ou se é a indecisão do atleta. Seja como for, a culpa é sua, já que, pelo menos ao que parece, o craque deixa o irmão tomar todas as decisões.

Acredito que a melhor opção teria sido o Grêmio, e não apenas por ser o clube do coração. Comparando o clube gaúcho com Palmeiras e Flamengo, é o de melhor estrutura, os salários não estão atrasados - pelo menos sabemos que a situação no time paulista é extremamente crítica e no carioca não é diferente -, tem o melhor time e vai disputar a Copa Libertadores. Já é um time pronto, enquanto o alviverde e o rubro-negro ainda estão em busca de uma cara.

Chega uma etapa da vida que o dinheiro é, ou deveria ser, menos importante. Se o objetivo de Ronaldinho com a volta ao país é recuperar a confiança em seu futebol e mostrar ao técnico Mano Menezes que tem condições de ganhar uma vaga na Seleção Brasileira e disputar a Copa do Mundo de 2014, o jogador deveria levar muitas coisas em consideração. Mas se são os milhões de reais e as baladas na bela e linda cidade maravilhosa que o atraem, paciência. Além disso, toda essa demora só serviu para provocar a fúria e decepção dos torcedores, principalmente dos gremistas. Quem perde é o futebol. Essa história não combina com o seu futebol... Mas que decida logo onde irá jogar, por favor!

6.1.11

A "Susan Boyle" dos Cavs

"Radio Man", ainda como um sem-teto: recomeço de vida como locutor do Cleveland Cavaliers, da NBA

No mesmo dia em que os líderes das Conferências Leste (Boston Celtics) e Oeste (San Antonio Spurs) iriam fazer seu confronto na NBA ou que Lebron James fez um trocadilho comparando as performances trio galáctico do Miami Heat (formado por ele, Dwyane Wade e Chris Bosh) com os Beatles, os "Heatles" – a equipe da Flórida acumula 19 vitória nos últimos 20 jogos – a notícia que mais repercutiu e chamou a atenção do basquete estadunidense estava fora das quadras e veio de Cleveland: os Cavaliers contrataram um sem-teto de 53 anos para ser locutor na Quicken Loans Arena, casa da equipe de Ohio, além de emprestar sua voz para futuros comerciais da equipe. A imprensa local logo o comparou com a cantora britânica Susan Boyle, que fez uma audição para um programa de calouros em seu país, virou hit na internet e alcançou o estrelato estritamente pelo seu talento, não por meio de dotes físicos ou padrões de beleza.

O novo empregado dos Cavs em questão é Ted Williams, um velho do Brooklin que vagava pelas ruas da cidade de Columbus. Os problemas com drogas e álcool fizeram com que perdesse tudo o que tinha, tornando-se um mendigo conhecido pela capital do Estado de Ohio. Tanto que era apelidado de Radio Man, dado o timbre impressionante de sua voz. Com quase 14 folhas de antecedentes criminais que incluíam roubo, assalto e posse de drogas, a vida de Williams mudou graças a uma reportagem feita pelo jornal “The Columbus Dispatch”, que contava sua história de vida e a fama local do mendigo-locutor com voz de ouro. Então, os jornalistas resolveram gravar um vídeo com Williams, onde ele resumia sua vida e falava das dificuldades que havia passado. Mas que estava limpo há dois anos. Em apenas dois dias, o vídeo virou hit no Youtube (abaixo), acessado por mais de 11 milhões de vezes (até o momento em que este post era redigido).



O talento do sem-teto foi visto pelos cartolas da equipe de basquete, que logo ofereceram a ele o trabalho de locutor e uma casa, próxima a arena dos Cavaliers. "Os Cleveland Cavaliers ofereceram-me um trabalho a tempo inteiro e uma casa! Uma casa! Uma casa!", disse um incrédulo Ted, em um programa de rádio local. E não foram só os Cavs que lhe ofereceram um trabalho. A MTV, um produtor de filmes para a NFL, um programa de talentos e até produtores ligados aos Simpsons tentaram contatá-lo. A história e o desfecho feliz para o locutor – que havia sido detido pela última vez em maio de 2010 –, obviamente, ganharam a imprensa esportiva do mundo.

A ação de marketing do clube, diante da enorme repercussão, foi rápida: no primeiro quarto do jogo desta quarta diante do Toronto Raptors, do brasileiro Leandrinho, a foto do novo funcionário dos Cavs apareceu na quadra e logo depois, um site criado para ele recebia mensagens de parabenização e incentivos, em tempo real.

Mesmo não sendo um esportista propriamente dito, é o segundo grande exemplo de reintegração de um ex-detento que tem uma chance de ouro para se reintegrar à sociedade por meio do esporte no país. O outro, muito mais alardeado pela performance na NFL, é o quarterback Michael Vick, do Philadelphia Eagles. De grande estrela e jogador mais pago da liga, em 2005, até a prisão por 18 meses, entre 2007 a 2009, pela promoção de rinha entre cães. Falido e sem ninguém para contratá-lo, acabou nos Eagles ganhando apenas o salário piso da liga. Mas uma série de fatores o colocou novamente como o principal quarterback da equipe e ele brilhou como um dos principais protagonistas do torneio, em sua temporada regular.

Em um país de sistema carcerário falido como é o Brasil, onde é urgente uma reestruturação completa, o esporte não poderia ser usado como uma das ferramentas para a reintegração – aquela sem o alarde da imprensa, conquistada pelos méritos – de detentos à sociedade?

3.1.11

Um novo filão

“Eu vou fazer um leilão
Quem da mais pelo meu coração
Me ajude voltar a viver
Estou aqui tão perto
Me arremate para você”

O trecho da letra acima, popularizada na voz da dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, ilustra com clareza o momento que atravessa Ronaldinho e seu irmão e procurador Assis: um verdadeiro leilão para saber quem vai repatriar o craque (se é que ele realmente voltará ao Brasil). O caso é tão complexo que o Milan destacou seu vice-presidente de futebol, Adriano Galliani, para ficar no país até o desfecho da transferência.

Todos os interessados (Flamengo, Palmeiras e Grêmio) afirmam ter feito boas propostas., destacadas aqui pelo site GloboEsporte.com. Assis é visto negociando com todos os clubes, enquanto o craque não dá a menor pista de qual rumo seguirá em 2011 – o Blackburn entrou na briga e tem a proposta mais vantajosa ao Milan, que visa recuperar parte do investimento feito no brasileiro junto ao Barcelona, em junho de 2008, por quase 25 milhões de euros. No quesito salários, ainda usando como base o GloboEsporte, o Palmeiras tem o salário mais alto, além da dar um eventual valor da patrocínio nas mangas de seu uniforme.

Algo que parece concreto nessa complicada possível volta é que Ronaldinho não voltará “pelo coração”. Tanto é que o duo não cogita voltar ao Grêmio apenas por gratidão, já que o meia saiu pela porta dos fundos do Tricolor gaúcho, em negociação conturbada com o Paris Saint-Germain, em 2001. O empresário de Ronaldinho já reclamou da postura gremista, que não negociou mais após a primeira (e otimista, segundo a própria diretoria gaúcha) proposta. O Flamengo – aquele mesmo que quase caiu no Brasileirão pagando mais de 900 mil reais para sua dupla titular de ataque, formada por Deyvid e Diogo – parece estar mais perto da chegada do craque. O irônico é que uma das empresas que pode ajudar a pagar parte dos salários de Ronaldinho é a Traffic, que teoricamente, é parceira de longa data no futebol do Palmeiras. A night carioca, porém, apetece mais ao meio-campo, que não esconde sua preferência por uma baladinha.

A verdade que os êxitos da vindas de Ronaldo, Adriano, Fred e Robinho nos últimos anos inaugurou um novo filão no futebol brasileiro: craques insatisfeitos/encostados na Europa voltam ao Brasil para ficar mais perto dos familiares (e de todas as regalias oferecidas pelos clubes, além de outros fatores) ganhando um salário quase que equiparado ao nível oferecido no Velho Continente.

Dentro e fora de campo, tais negociações têm sido vantajosas aos clubes. No entanto, mesmo com uma verdadeira operação financeira para viabilizar tais chegadas, a maioria dos clubes acabam se planejando mal. É o caso do próprio Palmeiras, com a volta de Valdivia: o clube Alviverde fechou 2010 com débitos em parte dos vencimentos do elenco – inclusive o próprio chileno e Kléber, trazido junto ao Cruzeiro. Ambos reclamaram dos entreveros publicamente.No Flamengo, tal problema é recorrente nos últimos anos.

A vinda de Gaúcho para o futebol daqui é altamente positiva, já que o craque, se quiser mesmo jogar bola, ainda tem muita lenha para queimar. Vide Ronaldo, Adriano e Robinho, principalmente. Mas os problemas desses craques é exatamente fora das quatro linhas, com anuência dos dirigentes. Não adianta chegar Ronaldinho, se a zaga do Palmeiras não tiver reforços ou se o Flamengo não tiver atacantes em boa fase. O planejamento para viabilizar a vinda de estrelas e os lucros que eles podem trazer de imediato. Nada de títulos.

*Atualizado às 23:38