22.4.08

Small board in South Africa?

Eu reconheço que sou suspeitíssimo para escrever este post, pois tenho restrições ao técnico Joel Santana. Mas ao saber que ele será o possível novo técnico da África do Sul, não poderia deixar de comentar. Indicado pelo seu antecessor, Carlos Alberto Parreira, Joel terá, talvez a maior oportunidade de visibilidade fora do Brasil, pois a África do Sul busca formar uma equipe competitiva para não fazer feio, já que o país será o anfitrião da próxima Copa.

Experiente no cenário de seleções, Parreira desenvolvia um trabalho de reestruturação dos Bafana-Bafana, que desde a classificação para a Copa de 2002 não desenvolvem um bom trabalho, tanto a nível internacional quanto a nível continental. Prova disso é que mesmo com Parreira à frente da equipe, os sul-africanos fizeram feio na Copa Africana de Nações, de onde saíram eliminados na primeira fase e sem nenhuma vitória. Mesmo assim, era consenso entre dirigentes e imprensa local a gradual transformação pela qual a África do Sul vinha passando. Em 21 jogos da era Parreira, 10 vitórias. A mais expressiva delas aconteceu frente ao Paraguai por 3-0, em março de 2008.

Pelo que se noticiou, problemas pessoais impediram que Parreira continuasse seu trabalho na África do Sul. E ele na titubeou em indicar o seu sucessor, o folclórico Joel Santana. Treinador de sucesso principalmente nos clubes cariocas, ao meu ver, a África do Sul pode estar dando com os burros n’água ao dar oportunidade ao popular “Joel Prancheta”. Porque? Resultados, puro e simplesmenteja, já que em currículo constam alguns títulos estaduais e uma Copa Mercosul. Também houve o fato dele ter sido uns dos principais responsáveis por ter tirado o Flamengo do marasmo e ter levado o time até a zona da Libertadores no Brasileirão do ano passado. Joel teve seus méritos, mas quando Ney Franco foi demitido, ele não tinha a disposição diversos jogadores de qualidade que foram decisivos na campanha vitoriosa do Mengo, principalmente o meia Ibson, quase sempre decisivo. Como eu disse à época, no post “O pior cego” (01/08/2007), Joel pegou o filé e Ney roeu o osso, mesmo após ter se sagrado campeão carioca. Um técnico que poderá assumir uma responsabilidade grande, mesmo sendo uma Seleção sem tanta expressão, já que a visibilidade em torno dos Bafana-Bafana está crescendo. Responsabilidade que ele poderá assumir longe de ser unanimidade dentro de seu próprio país, pois creio que Joel não está no primeiro escalão de técnicos do Brasil, de técnicos como Muricy Ramalho, Luxemburgo e Abel Braga, por exemplo. Uma coisa é a experiência internacional treinando equipes pequenas como o Vegalta Sendai, do Japão, e o Al Hilal, da Arábia.

Se for concretizada, a aposta é arriscada. Mas um alento para Joel é que ele deve manter toda a base deixada por Parreira. E é nisso que os seus defensores e dirigentes se apóiam. Resta saber se a famosa prancheta de Joel aparecerá pelos campos da África do Sul em 2010.

20.4.08

Depressão americana


“Hei de torcer, torcer, torcer
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer
Pois a torcida americana é toda assim
A começar por mim...” (Trecho do hino do América/RJ)


A idéia original deste post era de Thiago Barretos, mas resolvi fazer um texto mostrando que os Américas do Brasil não poderiam estar em pior situação. Esses times de denominação comum no futebol das Américas, particularmente aqui no Brasil – talvez só percam em quantidade de times homenageados para as também familiares Ferroviárias – normalmente tratam-se de agremiações simpáticas. Quase sempre é o mais fraco, fazendo com que todos tenham alguma empatia por eles.

Quando Américo Vespúcio desbravou os mares do atlântico para descobrir o Novo Mundo, no qual chegou por volta de 1492, não imaginava que além da homenagem recebida por conta da nova descoberta - a qual atravessaria os séculos - passaria pela adoção póstuma ao seu nome uma nova pátria (os Estados Unidos da América) até chegar no início do século XX, nomeando clubes de desportivos por todo o continente.

E glórias não faltaram aos homônimos do navegador italiano. O mais famoso deles, o América Football Club, fundado em 1904, é o precursor da febre “americana” no futebol. Um dos fundadores do certame no futebol carioca, o Ameriquinha já deu muita dor de cabeça aos grandes. Até porque era considerado um deles, pelo menos até meados de 1960, data de seu último título de expressão, o Campeonato Carioca. Era o campeonato mais famoso e charmoso do Brasil até então. Mesmo tomando muito pau nos anos posteriores, sempre foi a pedra no sapato dos cariocas. Outro feito notável foi a classificação às semi-finais do Brasileirão de 1986, no qual o Ameriquinha perdeu a disputa para o São Paulo (1-0 e 1-1), que depois se sagrou bicampeão nacional na final contra o Guarani. Após a boa campanha, brigas com a CBF e a Federação Carioca o afastaram dos holofotes nacionais. E como uma fênix, o Mecão foi reaparecendo aos poucos durante a atual década. Até o fatídico 5 de abril de 2008, após um campeonato carioca irreconhecível, de apenas duas vitórias em apenas quinze jogos do estadual. Mesmo a vitória contra a Friburguense não salvou o clube de seu maior vexame, após 104 anos de existência e 100 participações no Campeonato Carioca: o rebaixamento à 2ª divisão.

O Coelho (ou América Mineiro, um dos únicos Mequinhas que não ostentam o vermelho no uniforme) já dominou a cena em Minas – conquistou o decacampeonato entre 1916 e 1925 – e revelou jogadores conhecidos do grande público como Palhinha, Fred, Euller e Gilberto Silva. Atualmente disputa a 2ª divisão do Mineiro após ter caído ano passado. Está fazendo bom papel para voltar, pois lidera o Módulo II de Minas, após boa vitória sobre o Araxá, neste fim de semana. No entanto, os tempos continuam difíceis para o Coelho, que como bom mineirinho, está comendo pelas beiradas.

O homônimo potiguar fez pior. Força reconhecida no Rio Grande do Norte, o América/RN fez uma das campanhas mais pífias de um clube na elite do Brasileirão 2007, quando foi rebaixado há sete rodadas do fim da competição. Uma chance de aprender com os erros e voltar forte em 2008, certo? Errado. O Diabo conseguiu fazer pior: após ficar fora das finais do primeiro turno do Campeonato Potiguar, o time chegou às semi-finais do turno seguinte nos tribunais, já que o classificado ASSU perdeu seis pontos por conta de escalação irregular de atletas. A “nova chance” deu a oportunidade da equipe salvar o semestre na final do turno, contra o Potiguar de Mossoró. Mas em casa, o Diabo fez feio e tomou uma sacolada de 3-0. A equipe depende de quatro gols fora de casa para chegar à final, resultado difícil pela má fase da equipe e pela demissão do técnico Roberto Cavalo, que entregou o boné após o mau resultado contra os mossoroenses.

O América de São José do Rio Preto, na 2ª divisão paulista, conseguiu apenas a 15ª colocação da competição em e quase amargou mais uma queda. E a situação dos outros xarás americanos pelo Brasil não é das melhores. São mais de 40 espalhados pelo Brasil e nenhuma campanha de grande destaque.

Os Américas estão sofrendo de depressão crônica e vivem um momento de ostracismo em geral. Será que essas equipes, tão simpáticas, estarão fadadas ao sumiço? Com certeza, o futebol brasileiro fica menos charmoso sem os Américas, doentes crônicos da globalização voraz do profissionalismo do futebol. Assim como aconteceu com as Ferroviárias. E assim como vai acometendo aos pequenos clubes brasileiros, que não têm condições de existir pelo descaso das federações e cartolas.

*Credito do cartoon: Blog De Fora FC

17.4.08

Maré Azul

Toni salva Bayern de vexame contra o Getafe: Menos com um a menos, " Los Azulones" mostraram fibra e bom futebol.

O Getafe chegou muito perto de alcançar sua primeira grande glória no futebol espanhol, pois se trata de uma equipe relativamente jovem dentro do cenário local. Fundado em 1976 como Peña Madridista Getafe, o Azulon se tornou o atual Club Getafe de Fútbol somente em 1983. Equipe contemporânea da primeira divisão (conseguiu o acesso apenas em 2003/04, somando quatro temporadas na elite até aqui) o Getafe tenta fincar seu nome entre os clubes médios espanhóis. Com pouco tempo de existência e de elite espanhola, conseguiu resultados expressivos: dois vice-campeonatos da Copa do Rey (2006/07 e 2007/08) e uma eliminação muito lamentada frente ao poderoso Bayern de Munique na semana passada, em partida válida pelas quartas-de-final da Copa da UEFA.

Para quem não acompanha a equipe, podemos fazer uma analogia com a ascensão do São Caetano (coincidentemente conhecido como Azulão, assim como o Getafe) no futebol brasileiro entre 2000 e 2004. O crescimento do Geta é tão perceptível que desde que subiu, dois de seus três técnicos no período de 1ª divisão acabaram rumando para equipes maiores: Quique Sanches Flores, que fez trabalho razoável no Valencia e o alemão Bernd Schuster, atual comandante do líder e maior favorito ao título espanhol, o Real Madrid.

Na partida contra o Bayern, os Azulones conseguiram arrancar um ótimo empate contra os bávaros em 1-1. Na partida de volta, com um a menos desde o início do jogo, peitaram os gigantes alemães, que só se classificaram graças a falha bisonha de “Pato” Abbondanzieri e ao inspiradíssimo Luca Toni, que conseguiu marcar dois gols na prorrogação, os quais deram o empate em 3-3 e a classificação ao Bayern para as semis da Copa UEFA no quesito gols fora de casa.

Na partida de ontem, pela final da Copa do Rey, mais uma chance de triunfar. O adversário era mais tradicional, mas atravessava uma temporada turbulenta, onde o holandês Ronald Koeman balança constantemente no cargo de treinador dos Chés. Mas novamente o Geta ficou no quase. Ironicamente, o que sacramentou o título valenciano foi uma falha do jovem argentino Ustari, alçado a titularidade da equipe justamente após a falha de Pato contra o Bayern. Este é o segundo vice consecutivo da equipe, que na temporada passada acabou sendo derrotada pelo excelente Sevilla de Juande Ramos.

Como já disse muitas vezes em outras oportunidades, a cultura do vice é cruel em um país como o Brasil, onde tudo deve dar resultados “pra ontem”. Mas para uma equipe relativamente jovem se destacar positivamente em um futebol tão competitivo como o espanhol, devemos lhe creditar algum mérito.

Comandado pelo técnico Michael Laudrup, ex-jogador dinamarquês de carreira destacada no futebol europeu e que tem sua primeira oportunidade como treinador, o Getafe vai alçando vôos mais ambiciosos dentro da Espanha. O atual elenco possui bons valores, como o jovem Ustari – o qual acredito que deverá ser titular em breve na metada seleção argentina - o polivalente Rubén de la Red, jovem volante de 22 anos que também pode atuar como zagueiro central, o incansável e experiente ala direita Cosmin Contra e os jovens avantes Manu del Moral e Ikechukwu Uche, entre outros rodados jogadores. É um time bem arrumado e que vem dando algum trabalho aos grandes (vitória e empate contra o Barcelona, vitória contra o Real) apesar da modesta 13ª colacação em La Liga.

Em um campeonato onde os tradicionais médios de outrora, como Celta, Betis e La Coruna dão sinais de fraqueza, el Geta vai preenchendo essa lacuna, aos poucos. Por isso, olho no Getafe, a onda azul que começa a surgir em Madrid.

15.4.08

Exemplo de Organização?

Briga em concentração. Desentendimento entre atletas. Divulgação na imprensa de um mesmo caso com versões divergentes e ambíguas. A cada semana que passa, a diretoria do São Paulo mostra como o comando do clube está de pernas para o ar.

O novo acontecimento da equipe é a reintegração de Fábio Santos ao elenco principal. Segundo a alta cúpula Tricolor, o volante admitiu o erro de ter abandonado a concentração momentos antes do jogo contra o Juventus e que só acabou perdoado porque pediu desculpas publicamente. Seria verdade?

Atualmente, tudo no São Paulo ocorre sigilosamente e ninguém sabe quem está certo ou errado. O retorno de Fábio é apenas mais uma demonstração de toda confusão que impera nos ares do Morumbi.

É óbvio que a decisão da diretoria são-paulina foi altamente influenciada pela atual situação do time: afinal, logo na semana que antecede o clássico contra o Palmeiras, o clube não poderá contar com seus dois volantes titulares (Richarlyson e Zé Luís).

Sem nenhum outro substituto de origem, Muricy não teria muitas opções: ou recuaria Jorge Wagner e promoveria a entrada de um meia (Hugo, Sérgio Mota ou Dagoberto recuado), ou escalaria o garoto Aislan e improvisaria um zagueiro nesta função (talvez Miranda ou André Dias).

Mesmo assim, antes da punição a Fábio Santos, convenhamos: todo mundo sabia que um caminhão de jogadores que poderiam ser suspensos brevemente. Sinceramente, por que o clube auto intitula-se como o mais organizado do país, se sequer honra sua própria palavra?

Ridículo também, foi ver todo o alarde que os diretores tricolores criaram diante daquela situação. Para quê? Para se arrependerem dias depois. Será que se, hipoteticamente, os suspensos tivessem sido Dagoberto, Adriano e Hugo, o perdoado da vez seria o “gordinho” Carlos Alberto?

Não concordo quando afirmam que o São Paulo investiu errado trazendo atletas com fama de “bad-boy”. No badalado Palmeiras, por exemplo, os problemáticos Lenny, Denílson e Leo Lima não sofrem este preconceito.

Para mim, a diretoria tricolor precisa retomar os eixos. Os recentes títulos fizeram os diretores afrouxarem e esquecerem a fórmula mais eficaz: “pulso firme”.

11.4.08

Europa em Azul e Vermelho

O cartaz da grande final da Champions seria um prenuncio?

Liverpool e Manchester, vermelhos; Chelsea, azul e Barcelona, em azul e grená, pintam o domínio europeu neste momento. O Barcelona enfrentará o seu primeiro desafio real nesta Champions. Após enfrentar times fracos na fase de Grupos e Celtic e Schalke na fase final, os catalães enfrentam um Manchester maduro, que está em seu melhor momento e anseia muito por um título europeu, já que o último data da distante temporada 1998/99. O copeiro Liverpool suou para eliminar os promissores garotos do Arsenal, enquanto o Chelsea segurou o ímpeto e toda a empolgação do Fenerbahçe. Quatro times, duas cores e um campeão. Será que o Barcelona sucumbirá diante do domínio inglês?

É inegável dizer que dentre os quatro, pelo elenco e pelo que vem apresentando na temporada, o Manchester United é favorito. A grande fase do tridente Ronaldo-Tevez-Rooney dá mostras da força dos Red Devils, tendo em vista que o ataque da equipe já marcou 88 gols em 2007/08 (contando apenas Liga Inglesa e Champions). A juventude que faltou na temporada passada foi compensada com a aquisição de jogadores versáteis como Anderson, Nani e Hargreaves, o que cria uma gama de possibilidades à equipe. O jogo contra o Barcelona será duro, mas se o ManU jogar o que está jogando nesta temporada, existe a chance da equipe de Alex Ferguson passar sem maiores sustos sobre os catalães.

Mas a segurança e toda a experiência do Liverpool – sete títulos na Champions e duas decisões somente nesta década – mostram que os Reds devem ser muito temidos. De quase eliminados na fase de grupos a semi-finalista, o caminho da equipe, atual vice-campeã do torneio, foi bastante árduo. O melhor ataque entre os quatro postulantes ao título – 26 gols em 10 jogos – demorou para engrenar. Após passar com facilidade sobre o Toulouse na fase de pré-eliminatória (1-0 e 4-0), o Liverpool viu o fundo do poço após a derrota para o fraco Besiktas – com gol de Bobô e tudo – na Turquia. Com um ponto em três jogos, os Reds se viram na obrigação de ganhar os três jogos restantes para avançar. E o fizeram com louvor. Após eliminar verdadeiras pedreiras, como a Inter e o Arsenal, o Liverpool vem com mais moral ainda pra cima do Chelsea, freguês nesta década em se tratando de Champions.

Do outro lado, um Chelsea que deseja de vez entrar no seleto hall de grandes europeus. Milionário, mas sem a glória de um título continental, o Chelsea pode creditar essa sua condição de “quase grande” ao Liverpool: foram duas eliminações em duas semi-finais 2004/05 (0-0 e 0-1) e 2006/07 (derrotado nos pênaltis). Com um Drogba não tão eficiente quanto em outros carnavais, o time depende do bom desempenho da defesa, com expoentes como Cech, Terry e Essien, aliado com a gama de opções de seu meio-campo criativo, que conta com Lampard, Malouda, Wright Phillips e lampejos de Ballack. Um gol fora de hora pode trazer graves danos ao psicológico dos Blues, já que boa parte do elenco atual ficou no quase contra o mesmo Liverpool, nas duas oportunidades.

Por fim, o Barcelona, que foi perdendo peças importantes ao longo da competição, teve o caminho facilitado ao enfrentar Celtic e Schalke, os quais não ofereceram resistência. Não podemos fechar os olhos ao potencial dos blaugranas, mas creio que em meio aos ingleses, o Barça é o “azarão”. Perdeu Ronaldinho – que já não vinha bem, mas é um jogador diferenciado – além de Messi correndo contra o tempo para poder se recuperar de uma contusão, as esperanças da equipe se depositam em Henry e Eto’o. A vitalidade e agilidade da dupla pode fazer a diferença no duelo contra os grandalhões Vidic e Ferdinand. Outros jogadores podem aparecer como heróis, como o polivalente Xavi e o garoto Bojan, 17, que foi se fixando no time devido às contusões. O jogador mais jovem a envergar a camisa do Barcelona na Champions já marcou nove gols nesta temporada (oito pela Liga Espanhola e um pela Champions) mostra personalidade, mas a experiência e o futebol envolvente dos Red Devils pode pôr fim as pretensões do Barça, campeão em 2005/06, quando também encantou a Europa com um futebol vistoso, assim como os ingleses fazem neste momento.

As evidências apontam uma final vermelha em Moscou. E é onde apostaria minhas moedinhas, neste momento.