10.4.08

Nós temos a força

Sempre é legal ter qualquer tipo de reconhecimento do nosso trabalho. Sincero, porém inesperado, nós do Opinião FC ganhamos uma indicação da Janão, do excelente blog Xô Perereca. O selinho "Total Force" é simbólico, mas por vir de um blog de linha tão diferente da nossa, particularmente me deixa mais contente e crente de que estamos seguindo no caminho certo.

Pelo que entendi, o negócio é indicar mais cinco blogs de qualidade para receber o selo. Além do Xô Perereca, excelente blog e que é nosso parceiro há um tempão, indicamos mais quatro:

9.4.08

De férias

Lamentável, Celso Roth. Quando a tabela da Copa do Brasil mostrou que o tradicionalíssimo Grêmio enfrentaria o semi-desconhecido Atlético Goianiense muitos, como eu, pensaram: “Jogo de favas contadas, Grêmio nas oitavas”.

Afinal, de um lado tínhamos um clube raçudo, atual vice-campeão da Libertadores, que sempre foi famoso por sua eficácia em jogos mata-mata, enquanto que do outro lado havia um modesto campeão Goiano, mero coadjuvante de Vila Nova e Goiás em seu próprio Estado.

Ledo engano, já que o improvável aconteceu. E não é que o time bicampeão brasileiro e tetracampeão da Copa do Brasil sucumbiu a força (?) do remendado e refugado tricolor goiano?

Pois convenhamos, o Atlético é uma verdadeira colcha de retalhos. A defesa conta com o veterano Jairo, o rodado lateral Barão e o canhoto Julinho (sim, é aquele promissor lateral do Paulista que foi para o Corinthians e mal jogou na equipe).

Já o meio-campo da equipe relembra o Gama quando rebaixado à Série B: Pituca, Robston e Lindomar, todos estavam lá. Ao lado deles, o craque do time, o habilidoso, porém instável Anaílson. O ataque tem o esquecido Adriano Magrão (ex-Fluminense) e uma dupla vinda da Bahia formada por Sorato e Neto Potiguar. É mole?

Ok, ok. A equipe do Grêmio também não é lá “essas coisas”. Pior do que perder peças importantes como Diego Souza, Tuta, Tcheco, Gavillán e o técnico Mano Menezes, foi não saber repor estes desfalques com inteligência.

Atualmente, excetuando o promissor zagueiro Leo e o experiente Eduardo Costa, salvam-se mais alguns outros bons nomes, e só. Amostra de como a diretoria tricolor investiu muito mal em suas contratações.

“Trocou” laterais com o rival Inter e levou a pior, quando ficou com o fraco Hidalgo e perdeu o perigoso Bustos. Junto com o peruano vieram mais atletas de qualidade duvidosa como Tadeu (ex-Juventude), Perea (ex-Bordeaux) ou Júnior (ex-Flamengo). Isso, sem comentar a contratação do contestado Roger “chinelinho”.

Todo este episódio também serve para mostrar como alguns Estaduais têm equipes com qualidades sofríveis e que só servem para enganar os tolos dirigentes cm resultados banais e goleadas fáceis. Vale lembrar que até a derrota para o Atlético na partida de ida, os gaúchos ainda permaneciam invictos na temporada.

Em menos de um mês o time foi do céu ao inferno. Duas derrotas, duas eliminações precoces e início de crise no Olímpico. Quem sabe assim, a direção aprenda a lição e não cometa os mesmos erros que originaram este fracasso. Erros como a inexplicável demissão de Vagner Mancini, que foi preterido pelo ineficiente Celso Roth sem ao menos perder um jogo.

E que venha o São Paulo. Sim, o São Paulo. No longínquo 11 de maio.

4.4.08

O renascer de uma zebra

Villarreal 3 X0 Atlético de Madrid: Será que dá para repetir 2006 e ser semi-finalista da Champions?

Imagine se você fosse dirigente de uma equipe mediana e perdesse a sua principal referência no ataque, às vésperas do início da temporada. Para piorar, o seu meia está desmotivado e você se vê obrigado a emprestá-lo a preço de bananas. Será que, mesmo assim, você seria capaz de enfrentar seus adversários em pé de igualdade? O Villarreal está...

Mesmo que a atual vice-liderança do Submarino Amarelo na La Liga seja algo provisório, pois o Barcelona deve retomar este posto o quanto antes, devemos admitir: a campanha do Villarreal é louvável.

Muitos comentaristas acreditavam que sem a dupla Forlán e Riquelme, o time de El Madrigal não iria oferecer resistência para rivais mais tradicionais e que investiram uma maior cifra econômica, como o Atlético de Madrid, o Valencia, o Sevilla ou até mesmo o Espanyol. Erraram feio...

Um futebol burocrático que compensa a ausência de beleza com muita garra e determinação. Inspirado no “estilo portenho”, o treinador Manuel Pellegrini conseguiu montar um conjunto que se defende razoavelmente bem e que sabe jogar em função de seus atacantes.

No gol, o seguro Diego López, eterno reserva de Casillas no Real Madrid, enfim conseguiu mostrar suas qualidades. A zaga é formada pelo promissor uruguaio Godín e por Angel, destaque do Celta em 2007. O veterano Javi Venta atua como ala mais recuado, enquanto o incansável Capdevilla ajuda na armação do setor esquerdo.

O meio-campo tem o experiente Pires (que passou toda temporada passada machucado), o hispânico-brasileiro Marcos Senna, o recém-contratado Egurén (que assumiu a cabeça-da-área ocupada no primeiro semestre pelo francês Mavuba) e Santi Cazorla, revelação do Recreativo Huelva que apóia muito bem e ainda ajuda na marcação.

Na frente, Nihat e Giuseppe Rossi dividem a responsabilidade de marcar os gols da equipe. Dos 52 gols marcados pela equipe no Campeonato Nacional, 25 saíram dos pés de um deles. No banco, ainda existem algumas opções como o experiente Tomasson, o regular Cani e o Mati Fernández, chileno que ainda não apresenta o futebol que o consagrou.

Mesmo sem grandes estrelas, o Villarreal tornou-se um time encardido. Não à toa, venceu Valencia, Barcelona e Atlético de Madrid nos dois turnos e aos poucos, conquista seu espaço. Provavelmente estará na Champions League de 2009. E há quem diga que a classificação já será direta para a fase dos grupos... Quanta confiança!

3.4.08

Título Verde?

Vitória sobre o Corinthians abriu a sequência de 8 jogos 100% do Palmeiras
(Charge: Arthur Fujii - Desenhos FC)

No início da temporada de 2008, o Palmeiras foi um dos clubes que melhor reforçou o seu elenco. Além de ter vencido o leilão de Diego Souza, o Verdão trouxe o matador Alex Mineiro, o ex-encostado Élder Granja, o problemático Lenny e o polêmico, porém competente, Vanderlei Luxemburgo.

As derrapadas nas rodadas iniciais do Paulistão (empate com Mirassol e derrotas para Noroeste, Ituano e Guaratinguetá) deixavam o torcedor com a pulga atrás da orelha. Muitos acreditavam que, mais uma vez, o time palestrino iria morrer na praia.

Os tropeços fizeram a diretoria abrir os olhos e mais quatro novos reforços desembarcaram no Parque Antártica com o aval de Vanderlei: o promissor Henrique, o esforçado Kleber e os contestados Leo Lima e Denílson. Nem mesmo assim, o elenco do Palmeiras botava medo em seus adversários.

Mas, aos poucos, o Palmeiras foi acertando-se dentro do gramado. Hoje, vemos um Palmeiras forte, ofensivo, que adianta a marcação quando necessário e domina o oponente no campo de ataque. Nem mesmo os empates com os Rios Preto e Claro desanimaram a equipe.

Afinal, Valdívia começou a criar mais jogadas, Alex Mineiro desencadeou a marcar gols, Pierre e Henrique acertaram a defesa e Luxemburgo, enfim, definiu um padrão tático para o onze palmeirense. Até mesmo Leo Lima, outrora meio-campista firulento, melhorou seu futebol quando assumiu o posto de segundo volante.

Não à toa está invicto há 13 jogos (onze pelo Paulista e dois pela Copa do Brasil). Acumula neste intervalo 10 vitórias e apenas 2 empates. No Campeonato Estadual já possui o segundo ataque mais positivo, com 32 gols anotados e a terceira melhor defesa, com apenas 16 gols sofridos.

A fase atual é tão boa que nem o Palestra Itália, considerado a alegria dos visitantes no ano passado, viu derrotas em 2008: 2 vitórias e 1 empate. Neste embalo, o Verdão já é considerado por muitos comentaristas esportivos como o principal candidato ao título do Campeonato Paulista.

Exagero? Talvez. Que o Palmeiras tem o melhor elenco e está jogando muita bola, todos sabem. O problema é que na hora do mata-mata, pode aparecer um altíssimo salto alviverde que colocará tudo a perder. E disso, eu não duvidaria. Ou será que alguém esqueceu a pipocada Tricolor em 2007?

1.4.08

Síndrome da “última rodada”

Aproveitando o ensejo do último post do amigo Alexandre Azank, vamos a mais uma síndrome que afeta ao futebol brasileiro. Essa, muito mais recente que a de Pelé. Para ser mais exato, ela deu mostra de seus primeiros sintomas no dia 2 de dezembro de 2007, dia da última rodada do Brasileirão. O Corinthians precisava vencer o Grêmio no Olímpico e torcer para que o Inter – rival mordido desde a confusão do STJD no Brasileirão 2005 – tirar pontos do Goiás, concorrente direto do Timão. O Inter não teria porque jogar duro naquele dia, pois não estava aspirando a mais nada naquele campeonato. O resto, todo mundo já sabe como ocorreu.

Pouco mais de quatro meses após o maior revés de sua história, o Corinthians chega na última rodada precisando de uma combinação dificílima: Precisa vencer o encardido Noroeste em Bauru e torce por um tropeço em casa do São Paulo frente ao Juventus – algo que parece improvável, mesmo com o Moleque Travesso brigando para não cair – ou que o Santos tire pontos da Ponte jogando na Vila, onde tem quase 90% de aproveitamento de vitória no ano. O detalhe é que, além da grande rivalidade santista frente ao Timão, o Santos não aspira mais nada no Paulistão e passa alguns apuros na Libertadores. Então, onde o Santos concentrará suas chances, caro leitor? A resposta parece óbvia.

Claro que não é o fim do mundo o Corinthians não chegar as semi-finais do Paulistão. No entanto, é inegável que a possibilidade de brigar por um título de prestígio como o Campeonato Paulista daria maior ânimo a equipe, na árdua tarefa de jogar Série B. Para completar a semana decisiva antes do jogo de domingo contra o Norusca, o Corinthians tem o jogo de volta contra o Fortaleza, válido pela Copa do Brasil, onde joga por um simples empate. Mas se tratando de Corinthians – um time forte na defesa e débil em outros setores – todo cuidado é pouco. E uma virtual eliminação para o Tricolor cearense seria catastrófica, minando não só as forças para a decisão de domingo, mas também todo um primeiro semestre.

Posto isso, temos de reconhecer que o trabalho de Mano. Tendo em vista as grandes dificuldades e o elenco limitado, ele começou bem. Mas uma semana ruim pode virar o mundo alvinegro em cima da cabeça do técnico. Algo injusto, mas muito próprio do futebol, que pede resultados imediatos. E muito mais inflados em uma equipe ferida pela queda no ano passado.