5.7.10

Um Joachim que não era português...

Se Joachim Löw fosse Wanderley Luxemburgo diriam que ele deu um nó tático em Maradona. E deu mesmo. Mais do que falar em jogo coletivo, em aplicação tática ou exploração das fraquezas adversárias, é preciso entender porque a Alemanha conseguiu um placar tão expressivo.

Inteligentemente, Löw adiantou seus quatro operários do meio de campo e conseguiu sufocar a tal da linha de quatro defensores tão propagada pela imprensa e por Maradona. De quebra, expremeu Mascherano junto à defesa e o forçou a tocar para trás a bola toda vez que era pressionado. E isso se repetiu muitas vezes durante a partida.

Com Di Maria apagado na esquerda e depois na direita, Messi foi obrigado a recuar e ficou distante, tanto para arrancar quanto para tabelar com Higuaín e Tévez. Maxi Rodriguez sucumbiu diante da marcação. Parte do “argenocídio” começou aí.
Heinze, que já é sofrível no ataque, ficou isolado sem o meio-campista do Benfica na esquerda. Otamendi, nervoso, sentiu mais do que nunca o peso da camisa de Zanetti.

Maradona poderia ter corrigido esse buraco no meio de campo colocando Verón no lugar do Di Maria e aproximando mais Maxi e Messi. Sem falar na experiência do jogador para segurar a bola e distribuir as jogadas. Às vezes, é preciso tocar mais de lado até encontrar os espaços, em vez de atacar desorganizadamente , como vimos durante a peleja. Isso explica porque os hermanos tiveram tantos chutes a gol, mas todos sem perigo nenhum.

Da parte dos “alemânicos” vale ressaltar mais uma ótima partida de Podolski (jogador bisexto) e a boa movimentação de Özil e Müller. A exibição de Schweinsteiger como volante-armador foi simplesmente perfeita e digna de todos os elogios que ele tem recebido nesses últimos dias. Khedira, o mais irregular do quarteto, também teve méritos e até participou de alguns lances de ataque.

Mesmo esmagado taticamente por Löw, Maradona segue com muito prestígio. Foi o que se percebeu na incrível recepção da delegação ao regressar ao país, com mais de 10 mil torcedores em Ezeiza. Tendência evidenciada por uma pesquisa do Clarín que revelou dois terços de aprovação pelo trabalho realizado.

A tática e a razão podem explicar muitas coisas no futebol, mas jamais serão capazes de decifrar a paixão dos argentinos por seu “pibe de oro”.

Um comentário:

Alexandre Azank disse...

Assim como eu postei no dia do jogo, o grande mérito de Joachim Löw foi jogar em cima dos espaço que Maradona deu ao time dele. Foi soltar Schweinsteiger para criar livremente pelo meio campo apoiado por Podolski e Muller, que diga-se de passagem é outroo grande nome desta Copa.
O time alemão é realmente um time na acepção da palavra. Não tem nenhum nome badalado, não tem um cara excepcional. Tem sim um conjunto solidário e que sabe jogar em equipe e obedecer o que o tal Joachim grita do banco de reservas!