3.6.10

Copa do Mundo 2010 - Grupo B

Argentina
Subestimaram os gigantes

Eles têm muitos craques. Serão obrigados a rechear o banco de reservas com jogadores do quilate de Tevez, Aguero e Milito. E para comandar a constelação, chamaram a estrelar maior – Diego Maradona.

Em qualquer do Copa do Mundo, a Argentina é uma atração. Seja pela paixão, pelo futebol vistoso ou pelos atletas. Mas dessa vez é diferente. São 24 anos sem a taça, dois a mais que um baixinho endiabrado que atende pelo nome de Messi, e tem status de extra-terrestre. O acaso quis que os principais atletas do time chegassem ao mundial no auge de suas carreiras. E o mesmo acaso mostrou-se implacável com a desorganização da AFA e de Maradona. Dieguito se acostumou a conviver com as críticas, borbulhou em meio às polêmicas, reagiu, sobreviveu. Agora, fechou a seleção e tenta preservar seu pupilos das super exposição. Esquemas táticos? Ninguém sabe ao certo, mas ele já deixou claro: vai jogar para a frente, apostando na motivação.

E por mais incoerente que pareça, um dos grupos mais recheados da copa é justamente o mais dependente do talento indivual. Provavelmente, veremos em campo uma equipe sem laterais, com quatro defensores fixos atrás e muita liberdade para meio-campistas e atacantes. Se vai dar certo, ninguém aposta com segurança. A imprensa mundial os excluiu da tríade dos favoritos, Brasil, Espanha e Inglaterra. Os atletas não gostaram, querem responder em campo. O tango já começou...

Asociación de Futbol Argentino
Status:
Favorita ao título
Ranking da Fifa: 7⁰
Participação em Copas: 15 (1930, 1934, 1958, 1962, 1966, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010)
Melhor participação: Campeã (1978 e 1986)
Ídolos: Diego Maradona, Alfredo Di Stefano, José Manuel Moreno, Francisco Varallo, Daniel Passarela, Mario Kempes, Jorge Valdano, Ariel Ortega, Gabriel Batistuta, Claudio Caniggia, Roberto Sensini, Juan Román Riquelme, Javier Zanetti, Diego Simeone, Fernando Redondo.
Uniforme: Adidas
Time base: Romero; Otamendi, Demichelis, Samuel, Heinze; Jonas Gutierrez, Mascherano, Verón, Di Maria; Messi e Higuain. Técnico: Diego Maradona
Ele é o cara: Lionel Messi. Tem como ser outro? Pouco idade, muitas conquistas, habilidade única e uma capacidade de arremate rara. Ainda precisa vencer a desconfiança da torcida quando atua pela albiceleste.
Olho nele: Carlitos Tevez. É mais querido da torcida e joga todas as partidas com uma entrega comovente. Deve começar a copa na reserva mas já disse que vai virar titular. Ninguém duvida.
Tem brazuca aí? Nunca terá!
Ponto forte: Com as peças que têm, Maradona pode usar e abusar de opções táticas para envolver o adversário. Verón é o técnico em campo e dita o ritmo do jogo, distribui as jogadas e acalma os mais novos. O talento individual é a serventia da casa.
Pontos fracos: Para muitos, Maradona não tem a menor noção de como comandar um time e o trabalho tático não existe. A defesa é uma incógnita e não inspira confiança nos torcedores e na imprensa. Falta também um grande goleiro.

Nigéria
Águias precisam voar

Eles estão confiantes. Consideradas uma das seleções mais “marrentas” da África, a Nigéria espera voltar ao mundial impondo respeito. A ausência na copa de 2006 não diminui o excesso de confiança de alguns jogadores. Recentemente, o bom atacante do Wolfsburg, Obafemi Martins, declarou não ver pontos fracos na equipe. Bons nomes o grupo possui. Obi Mikel, Kanu e Obinna são alguns deles.

Resta saber se além da marra, os nigerianos também vão trazer a famosa “irresponsabilidade” tática que caracteriza muitas equipes do continente africano. Se isso acontecer, dificilmente eles avançarão às oitavas de final. Um dos sinais de que esse rótulo pode estar com os dias contados, é a força defensiva dessa equipe. Nas eliminatórias, o time sofreu apenas 5 gols em 9 pertidas. Se conseguirem repetir esse feito contra a Argentina, por exemplo, já vão ganhar aplausos da crítica e da torcida por barrar Messi e Cia... Qualidade para isso eles têm.

Nigeria Football Association
Status:
Pode surpreender
Ranking da Fifa: 20⁰
Melhor participação: Oitavas-de-final (1994 e 1998)
Ídolos: Emmanuel Amunike, Daniel Amokachi, Nwankwo Kanu, Jay-Jay Okocha, Taribo West, Rashid Yekini, Sunday Oliseh, Victor Ikpeba, Tijani Babangida
Uniforme: Adidas
Time base (4-3-3): Enyeama; Taiwo, Odiah, Yobo e Shittu; Yussuf, Mikel e Kaita (Odemwingie); Yakubu, Obasi (Obinna) e Martins. Técnico:Lars Lagerback (sueco)
Ele é o cara: Obafemi Martins. Aos 25 anos, o atacante mais vigoroso da Nigéria chega rodado em sua primeira copa do Mundo. Com longa passagem pela Inter de Milão (2002-2006), o companheiro de Grafite vai ser a referência da equipe.
Olho Nele: Veterano e experiente, Kanu chega para ser capitão da seleção que ele tanto ajudou a tornar conhecida. É habilidoso e sabe usar muito bem o corpo.
Tem Brazuca aí? Nenhum
Pontos Fortes: Chega com a defesa sólida e, como todo bom time africano, possui jogadores muito habilidosos e capazes de desequilibrar. O time também já está se acostumando às copas, sendo esta a terceira participação nas últimos quatro mundiais.
Ponto Fraco: Não é necessariamente um time que se entrega em campo. Falta sangue na veia dos nigerianos, e essa apatia pode levá-los a perderem partidas para adversários mais fracos tecnicamente. Recentemente, o ídolo Yekini falou dessa falta de espírito coletivo de seleção.


Coréia do Sul
Auto-afirmação de olhos puxados

A ótima impressão deixada na Copa de 2002 pode desaparecer de vez para os ágeis sul-coreanos. E eles, é claro, não querem deixar isso acontecer. Não era uma questão de ser empurrado pela torcida, aquele era um time moderno, rápido, marcador, com ótimo toque de bola e muito coração. E essa é a postura que e pretendem repetir.

Motivos para acreditar nesse “flash back” eles têm de sobra. Entre eles, a campanha invicta nas eliminatórias e o ótimo momento vivido por Park Ji-Sung, uma das estrelas do Manchester United. Além disso, na preparação para o mundial o time comandado por Huh Jung-Moo conquistou boas vitórias, especialmente, contra Costa do Marfim e Japão.

Fazer parte do Grupo B da Copa é um misto de sorte e azar. Isso porque os orientais vão enfrentar seleções com alguma tradição, como Nigéria e Grécia, porém cambaleantes. Além da sempre favorita Argentina. Ou seja, não será nenhuma surpresa tanto se o time classificar quanto se perder as 3 partidas.

Korea Football Association
Status: Pode surpreender
Ranking da Fifa: 47⁰
Melhor participação: 2002 (4 lugar⁰)
Ídolos: Hong Myung-Bo, Jung Ahn, Seol Ki-Hyun, Park Ji-Sung, Lee Woon-Jae
Uniforme: Nike
Time Base: Lee Woon-Jae; Du-Ri Cha, Dong-jin Kim, Cho Yong-Hyung, Lee Jung-Soo, Park Ji-sung, Chu-young Park, Shin Hyung-Min, Lee Chung-Yong, Ki Sung-Yueng e Lee Keun-Ho. Técnico: Huh Jung-Moo.
Ele é o cara: Dizem que toda unanimidade é burra. Não é este caso. Park Ji-Sung é o modelo para os outros atletas. Rápido, aplicado e eficiente, trata-se do jogador mais experiente em competições internacionais do elenco.
Olho Nele: Park Chu-Young. Só 24 anos e já vai para a segunda copa. Artilheiro no Monaco, também quer surpreender na seleção. Tem fama de ser frio e objetivo
Tem Brazuca aí? Nenhum
Pontos Fortes: Tem ótimo preparo físico e grande obediência tática. Aprenderam a marcar, tocam com qualidade e estão mais confiantes.
Pontos fracos: A baixa estatura e a falta de improviso. O excesso de disciplina atrapalha o processo criativo. Às vezes, o time fica previsível.


Grécia
Pragmatismo nunca mais?

A Grécia chega à Africa do Sul mais ofensiva do que o habitual. Contrariando a lógica que a consagrou na Euro de 2004, o time teve a boa média de 1,8 gols por jogo e ainda rendeu a artilheiria a Theofanis Gekas. Mas é claro que a força defensiva do time não foi esquecida. Sob o comando do “velhinho” Otto Rehhagel (72 anos), aquele mesmo que venceu a Euro, os europeus continuam com um defesa sólida, que dá segurança para os homens do meio-de-campo saírem para o jogo.

E quando o assunto é a região central do gramado, ninguém manda mais no time do que Karagounis. O experiente meia do Panathinaikos é o nome mais conhecido da seleção e vai conduzir as ações do time mediterrânico na Copa.

Num dos grupos mais eliquilibrados do mundial, os gregos tem boas chances de avançar. E eles chegam motivados á copa, já que a classificação só veio na repescagem das eliminatórias européias. Defitivamente, não vão querer fazer feio...

Hellenic Football Federation
Status: Pode surpreender
Ranking da Fifa: 12⁰
Melhor Participação: fase de grupos (1994)
Ídolos: Antonios Nikopolidis, Traianos Dellas, Theodoros Zagorakis, Nikos Anastopoulos, Giorgos Karagounis, Angelos Charisteas, Kostas Katsouranis
Uniforme: Adidas
Time base (4-5-1): Tzorvas; Spiropoulos, Papastathopoulos, Kyrgiakos e Vyntra; Katsouranis, Karagounis, Tziolis e Samaras; Salpingidis; Gekas. Técnico: Otto Rehhagel
Ele é o cara: Karagounis. Técnico, obediente taticamente e com grande capacidade de controlar o meio de campo. Aos 33 anos, vai ser o motor do time.
Olho nele: Gekas. É candidato a artilharia do torneio para aqueles que gostam de apostar em surpresas. Incomoda e muito as zagas adversárias.
Tem Brazuca aí? Nenhum
Ponto Forte: Tem um time equilibrado e não depende apenas da segurança da defesa. É sempre uma equipe difícil de ser enfrentada, independente do adversário.
Ponto Fraco: Tentar fugir do pragmatismo. Abusa do jogo aéreo e pode ser punido pela falta de criatividade de alguns jogadores. Depende muito de Karagounis.

Jogos do Grupo B:
12/06 - 8h30 - Port Elizabeth - Coréia do Sul x Grécia
12/06 11h00 - Johannesburgo (Ellis Park) Argentina x Nigéria
17/06 - 8h30 - Johannesburgo (Soccer City)Argentina x Coréia do Sul
17/06 - 11h00 - Bloemfontein - Grécia x Nigéria
22/06 15h30 - Durban - Nigéria x Coréia do Sul
22/06 15h30 - Polokwane - Grécia x Argentina

Um comentário:

Vinicius Grissi disse...

A Argentina é a grande incógnita desta Copa. Pelos jogadores que tem, pode ser campeã até com sobras. Mas pelo futebol que apresentou desde que Maradona assumir, pode ser um grande vexame. Só esperando entrar em campo para ver o que este time vai render.